quarta-feira, 9 de abril de 2014

ROÇO

com tranqüilidade
roço o meu rosto sobre a superfície
aos poucos vou me desvencilhando dos sonhos
até o vazio adoecer
roço o meu corpo sobre o mundo
o arrepio do mundo me despedaça
aos poucos os olhos escorrem pela vidraça

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O AMOR ENTUPIDO

meu amor está entupido
não há o que fazer
projetei um fio de delírio
a partir do sonho
tentando alcançar o outro lado
debalde
agora sustento essas tripas
retas no ar seguram pipas


O MUNDO SE CURVA DIANTE DE MIM

finjo recitar um poema
diante do espelho
a nuvem me corta pela metade
não preciso sangue para entender a dor
o mundo se curva diante do meu sonho
seus joelhos sobre a minha cabeça


FUMANDO TINTA

fumo a caneta
enerva o meu pulmão a tinta fresca
exalo cuidados
procuro óbitos
as palavras não concluem
incompletas arremessam as gavetas
para um fundo que não consigo


PARA MISTURAR A ALEGRIA

penso que sei
o que estou fazendo
não misturo minha alegria
com nada que possa causar pânico
mostro apenas a parte de dentro
sem os remendos


terça-feira, 1 de abril de 2014

PARECIA FRACA

não sei que passos
devo medir
não sei do meu corpo
nem como conduzir
aquela multidão
que parecia os meus olhos
não estou mais enxergando
aquela solidão
que parecia fraca
agora tá me carregando



MINHA PELE

minha pele lava
o assoalho do mar
minha pele pendurada
após tantos anos
carne seca sonhando com um sangue
que nunca mais vai voltar
minha pele estava distraída
quando o mar invadiu
eu não estava em casa
nem sei quando a minha pele fugiu


PERDAS

repara a perda é reparável repara a perda repara a perda é irreparável nunca para a perda nunca para repara nunca se repar...