sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

QUEDA



às vezes o chão me falta
debalde aciono uma asa
depois a outra
o vão me expulsa
mais pela tentativa
do que pela falta
ao solo me igualo
e me torno um horizonte
onde a falta do chão 
não me esconde

QUASE UM RONDÓ




penso que guardo um poema no bolso
mas é o contrário

domingo, 2 de dezembro de 2018

UM RIO


um rio sem água ainda é um rio
um rio sem curva não é água
na terra o rio é um risco
um risco a ser escorrido
o pensamento do rio turva a água
seu sonho são peixes pedras perdas
e pessoas que nadam
no pesadelo morrem afogadas
um rio sem leito ainda é um rio
sonâmbulo mergulha no oceano
na esperança de se salgar
mas não há salvação
perde seu curso seu nome
enlouquece o seu doce
assume outra razão


PELAS RUAS DE SÍTIO NOVO

caminhamos tranquilos pelas ruas de Sitio Novo o córrego e eu entendemos de sigilo escorremos nossos segredos pelo meio-fio até que o sol de...