segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

POEMA DE G.VIEIRA

BEM SIMPLES (E URGENTE)


o amor
precisa de pessoas
para amar

MORTE SÚBITA

melhor interromper a vida
a ficar com algo atravessado na garganta
uma lágrima um sonho uma gargalhada
não engula nada
melhor interromper a vida
um ambiente refrigerado
é tão falso quanto
o sol que nos cobre
melhor interromper a vida
quem te abraça comovida
abraça porque esconde
algo que duvida
então é melhor interromper a vida
e trocar por outra

ALTURA

não sei em
qual altura
devo cortar
a perna
sinto que
não há
sangue
suficiente
para o
recipiente
sinto que
há mais
veia do
que sangue
sinto que
a paralisia
talvez afete
o movimento
da mão
que produzirá
o corte

A MORADA DA PALAVRA

a morada da palavra é a poesia
afora isso
é chuva lavando os
pés do sol
que lambe a neve

a morada do poeta é o poema
afora isso
é trocar a pele
por problema

a morada da poesia é o poeta
afora isso
há fora
além do poeta não há hora
nem lugar
para se abrigar

PARA EXORCIZAR O MEU DESEJO

para exorcizar o meu desejo
copulo tudo que vejo
despetalar a flor
ou arrancar meus dedos
dá no mesmo

LÁGRIMA

a lágrima escorre pelo rosto
e cai no ouvido
ouço a correnteza da lágrima
a lágrima não é só água
pequena superfície da mágoa
onde quem sabe nadar
não usa o corpo

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

MONTANHA COM CHUVA

as pedras irregulares da montanha
perturbam as nuvens
elas tropeçam chuvas
sobre a montanha que se banha

TUTANO

  tá difícil o mundo quando parece que vamos engolir destempera   e em seu lugar vai a nossa carne a parte longe dos ossos   p...