segunda-feira, 3 de outubro de 2022

AQUELES DIAS DE DESESPERO

 

nos dias que bate um desespero

dá uma vontade de arrancar os cabelos

separar a alma do pelo

vontade de inundar o vento de novelos

ampliar o corpo em pedaços

pendurar os gritos nos terraços

esquecer da pessoa que mora no corpo

pensar que está morto

e transportá-lo para um buraco imaginário

ou até mesmo se jogar num aquário

cuja água não alcance o fundo


tem dias que bate um desespero

e a força do revide vindo em sentido contrário

nos mostra que o desespero

é mais medo do desconhecido

do que nos parece sabido

então o desespero bate bate bate

até que uma hora cansado

senta ao nosso lado 

a espera do retorno do fôlego

mas nos recuperamos antes

e diante dele e de nossas cicatrizes

aprendemos que não podemos ser felizes

se ficarmos passivos ao seu lado

então de súbito partimos

depois de tê-lo enterrado

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SEDE

 um poema escrito na água cumpre sua função  de sede