enquanto nada se resolve
alguns vestem janelas
olhos e paisagens se misturam
aos automóveis pessoas e plantas
a vida mostraria a cara
caso possuísse
no entanto
permance impassível
assistindo a chuva
inundar o aquário
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
ÁGUA FORTE
as marcas da chuva
vão desaparecer
poucos conseguem
evaporar junto com a água
eu fui um deles
vão desaparecer
poucos conseguem
evaporar junto com a água
eu fui um deles
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
ENTENDIMENTOS
alguns escrevem poemas para sonhar
outros escrevem poemas para viver
os poemas me escrevem?
ou escrevo poemas?
eu me pergunto enquanto os elaboro
mais fácil vive o tempo que se perde
sem precisar se entender
outros escrevem poemas para viver
os poemas me escrevem?
ou escrevo poemas?
eu me pergunto enquanto os elaboro
mais fácil vive o tempo que se perde
sem precisar se entender
QUE CAI DO MEU OLHO
a água que cai do meu olho
muda a natureza de lado
parecia brincadeira
agora é fato
muda a natureza de lado
parecia brincadeira
agora é fato
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
GAIOLA
o passarinho
e suas cores
seu canto e suas dores
seu encanto e sua solidão
dormem no escuro
do estômago
do gavião
e suas cores
seu canto e suas dores
seu encanto e sua solidão
dormem no escuro
do estômago
do gavião
CORRUPIO
a infância gira mais rápido que o mundo
atravessa-se uma bananeira
com risadas certeiras
estripam-se formigas
faz-se intriga
entre um grão de areia e outro
até formar um buraco
lombrigas são dependuradas
até tornarem-se pipas
esconde-se atrás de uma folha
que mais parece uma floresta
o universo cabe na infância
seres de outro planeta
rastejam no muro
até abduzir o sol
e brinca-se de adulto
só de mentirinha
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
QUANDO MAMÃE VEIO ME VISITAR
quando mamãe veio me visitar
não havia mais calendários
percorri todos os 365 dias de maio
como se fosse o primeiro
quando mamãe veio me visitar
não havia desmaios
e a lucidez era o gancho
que fixava o meu corpo entre as nuvens
quando mamãe veio me visitar
não havia mais água
e toda palavra pronunciada
derramava um deserto
quando mamãe veio me visitar
não havia mais alma
e a dor era a película
que me ocultava
quando mamãe veio me visitar
não havia mais tempo
tudo que seria dito
ficou tatuado no pensamento
quando mamãe veio me visitar
não havia mais espaço
corredores e portas
chegaram antes do abraço
não havia mais calendários
percorri todos os 365 dias de maio
como se fosse o primeiro
quando mamãe veio me visitar
não havia desmaios
e a lucidez era o gancho
que fixava o meu corpo entre as nuvens
quando mamãe veio me visitar
não havia mais água
e toda palavra pronunciada
derramava um deserto
quando mamãe veio me visitar
não havia mais alma
e a dor era a película
que me ocultava
quando mamãe veio me visitar
não havia mais tempo
tudo que seria dito
ficou tatuado no pensamento
quando mamãe veio me visitar
não havia mais espaço
corredores e portas
chegaram antes do abraço
Assinar:
Postagens (Atom)
TUTANO
tá difícil o mundo quando parece que vamos engolir destempera e em seu lugar vai a nossa carne a parte longe dos ossos p...
-
para o amor não sei quantas pessoas para a dor mais ainda não sei contar para outras coisas mas sei que são muitas
-
minha baixa imunidade não me permite tocar as palavras esse meu silêncio pelo que me lembro antecipa meus ossos gostaria de ve...
-
a lua ao fundo antes da lua a árvore com seu vestido verde e sapatos escuros entre os cabelos da árvore a lua ao fundo ou a ...