a poesia existe para desarrumar tudo
disseram isso quando eu era mudo
depois disso comecei a falar
e tudo que é pétala virou página
e tudo que era pau virou planta
e tudo que era céu virou garganta
e o que parecia infinito pareceu me engolir
e o que parecia bonito pareceu existir
e nunca mais minha fala
deixou as coisas arrumadas
quinta-feira, 3 de março de 2011
QUASE UMA FLOR
poesia não é coisa
que demore a abrir
quase não tem botão
enquanto pensamos
já está na nossa mão
da raiz ao cume
a inevitável rima
do estrume ao perfume
quase parecida com uma flor
onde a cor
é substituída pela dor
que demore a abrir
quase não tem botão
enquanto pensamos
já está na nossa mão
da raiz ao cume
a inevitável rima
do estrume ao perfume
quase parecida com uma flor
onde a cor
é substituída pela dor
quarta-feira, 2 de março de 2011
COSTUREIRO
a vida é perfeita
porque falta um pedaço
remendar a vida
é o melhor que faço
remendo por dentro
abrindo novos espaços
porque falta um pedaço
remendar a vida
é o melhor que faço
remendo por dentro
abrindo novos espaços
CÓDIGO DE BARRAS
o dna
é o meu código de barras
valho o que produzo
peso o que consumo
sirvo para o mundo
enquanto houver sumo
é o meu código de barras
valho o que produzo
peso o que consumo
sirvo para o mundo
enquanto houver sumo
terça-feira, 1 de março de 2011
VISTA DO PORTO
o amor não engorda
o peso que carrega
é o medo que o transporta
o navio ancorado
no cais do olho
impõe sua quilha
qual virilha
furando o casco do amor
uma lágrima
cria outro oceano
onde se lança o amor
o peso que carrega
é o medo que o transporta
o navio ancorado
no cais do olho
impõe sua quilha
qual virilha
furando o casco do amor
uma lágrima
cria outro oceano
onde se lança o amor
POEMA GESTICULADO
as dores guardadas no corpo
brotarão como flores
fora do tempo
nos jardins da pele
na testa
os dedos longos
alcançam o fundo do sonho
mas não consegue entendê-lo
os dedos sujos de sonho
espalham manchas de medo
as mãos não sabem que falam
e o punho cerrado amordaça
a palavra que abolirá o gesto
brotarão como flores
fora do tempo
nos jardins da pele
na testa
os dedos longos
alcançam o fundo do sonho
mas não consegue entendê-lo
os dedos sujos de sonho
espalham manchas de medo
as mãos não sabem que falam
e o punho cerrado amordaça
a palavra que abolirá o gesto
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