segunda-feira, 28 de março de 2016

OUTONO

 folhas suicidas
culpam o outono


OUTONO 2
o sol fez um buraco no verão
jogou no fundo
o inverno

OUTONO 3
folhas abandonam as árvores
sempre é mais fácil um corte onde não há sangue
um corte numa página em branco
nem sempre é uma palavra

quarta-feira, 23 de março de 2016

POEMA DE NICOLAS BEHR

e por falar nisso...
bem, é melhor não falar nisso

quem sabe não vou deixar puto
alguém com influência no governo?
com amigos na polícia?

eu é que não vou
cair nessa conversa
de que todos são iguais perante a lei



Poema de NICOLAS BEHR extraído do livro RESTOS MORTAIS (ou RESTOS VITAIS como ele costuma corrigir nas dedicatórias)
Poema bem a propósito para este momento.

terça-feira, 22 de março de 2016

DINHEIRO


as palavras explodem nos muros
pouca coisa sobra
ninguém quer os muros nem as palavras
no final o que eles querem é o dinheiro


SILÊNCIOS

estou ficando sem paciência
escrevo antes de saber a palavra
falo antes de pensar
e a boca se move e vai formando palavras
impregnadas de silêncios


DEPOIS DE MORTO

o ser humano gosta de se estender pelo mundo
como se fosse uma toalha
não sabe se carrega a janta
não sabe se almoça
come até depois de morto
essa areia movediça


MOVO

se eu ficar bem quietinho
nem vou parecer morto
um chão por onde caminham
um vento que respiram
alguém vai participar comigo
desse silêncio perdido no grito
se eu me mexer
nem vai parecer que estou sozinho
a vida vai tropeçar em mim
e cair pelo mundo


DESAPARECIDO

a última vez que foi visto
estava no sonho de um cego


PERDAS

repara a perda é reparável repara a perda repara a perda é irreparável nunca para a perda nunca para repara nunca se repar...