quinta-feira, 1 de abril de 2021

QUARENTEMA

 o ócio comeu meus ossos

enquanto posso crio orifícios

e devolvo as tripas para o meu corpo

é o que me resta

esse fio entre o delgado e o grosso

entre o que esqueço e o que decoro

esgarço o nervo e a pele

enquanto a esperança o poro expele

enquanto a palavra é um mero risco

engrosso o couro das sementes

e me deixo regar pelos gritos

 

Um comentário:

Iri Freitas disse...

Maravilhoso.🤩😘