sábado, 7 de fevereiro de 2009

SEDA

o amor não admite remendos
se rasgou, jogue logo fora

guardei o amor
ao redor do tempo
fora do alcance
desse momento

talvez em outro
eu me dê
ou me doa

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

AR PODRE

nariz não tem abrigo
se pouco for enganado
períneo com chocolate
secreção turva de alicate
dedos dos pés marcando o asfalto
morder no início é difícil
depois a gente se iguala
se quando eu falei faltou o ar
foram as palavras que me respiraram

sábado, 24 de janeiro de 2009

sagrada família

gozo como quem foge
deixando rastro
minha palidez curva
dobra o quarto
cravo nas costas
de quem me carrega
marca d'água

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

MARINHA

meu coração em riste
ao sentir a súbita
saudade da chuva

incontinente
corpos sem plásticos
flutuam diante dos canhões

e o cheiro do mar
divide a tarde
em facções

sábado, 10 de janeiro de 2009

PELUZ

os míopes enxergam no escuro
descobri isso quando apagaram as flores
meu tato estava descalço
minha fala estava sozinha
mesmo assim consegui
erguer os muros de luz
agora é a minha pele

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

FERRUGEM

meu amor é feito água
água corrente enferrujada
água parada
água salgada
eu bebo todos os dias
bochecho e aspirjo no mundo
bebo num copo sem fundo

PERDAS

repara a perda é reparável repara a perda repara a perda é irreparável nunca para a perda nunca para repara nunca se repar...