sexta-feira, 10 de abril de 2009

sombra transitória

sob a tua vulva

planto minha sombra



derramo o meu concreto

ergo colunas com meu gozo



teus galhos retorcidos

em minhas costas

o fruto do mundo

o morder sem vontade

a fonte dilatada 
o arrepio tardio



queira meu corpo

desfaça meu saber

falar com a pele



sussurre sementes no campo devastado

saiba das flores que reguei

usando as minhas digitais



o perfume do meu sonho

arrebentou os botões

o corpo solto o sopro solto



não queira que eu não seja ninguém

o impossível no teu envoltório

sou eu querendo ser água



preencho todas a curvas 
do universo ao leu

teu períneo é o meu céu

poro que exploro

suor de amor não tem sal
tem sul
tem o peso de dois corpos
ou mais
tem a cor que o amor precisa
imprecisa
não escorre nem poreja
não evapora
apavora
suor de amor não tem hora
agora

POEMA DE G.VIEIRA

DO QUE RESTAMOS

Para Sergio Lima Silva

o tempo passa
ameixas, amoras
saboreio ócios
do ofício de ser
- viver deplora

o tempo passo
em falso pendor
do ser que devoro,
cogito fugas
- viver deflora

sábado, 7 de fevereiro de 2009

SEDA

o amor não admite remendos
se rasgou, jogue logo fora

guardei o amor
ao redor do tempo
fora do alcance
desse momento

talvez em outro
eu me dê
ou me doa

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

AR PODRE

nariz não tem abrigo
se pouco for enganado
períneo com chocolate
secreção turva de alicate
dedos dos pés marcando o asfalto
morder no início é difícil
depois a gente se iguala
se quando eu falei faltou o ar
foram as palavras que me respiraram

sábado, 24 de janeiro de 2009

sagrada família

gozo como quem foge
deixando rastro
minha palidez curva
dobra o quarto
cravo nas costas
de quem me carrega
marca d'água

PERDAS

repara a perda é reparável repara a perda repara a perda é irreparável nunca para a perda nunca para repara nunca se repar...