sexta-feira, 10 de abril de 2009

sombra transitória

sob a tua vulva

planto minha sombra



derramo o meu concreto

ergo colunas com meu gozo



teus galhos retorcidos

em minhas costas

o fruto do mundo

o morder sem vontade

a fonte dilatada 
o arrepio tardio



queira meu corpo

desfaça meu saber

falar com a pele



sussurre sementes no campo devastado

saiba das flores que reguei

usando as minhas digitais



o perfume do meu sonho

arrebentou os botões

o corpo solto o sopro solto



não queira que eu não seja ninguém

o impossível no teu envoltório

sou eu querendo ser água



preencho todas a curvas 
do universo ao leu

teu períneo é o meu céu

Um comentário:

Unknown disse...

"sombra transitória" é uma carpintaria de emoções, sinestesia pura. Louvado seja esse modo de sentir do poeta.
Amém!

G. Vieira

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