terça-feira, 14 de julho de 2009

posologia


a cadeia produtiva do não
começa na infância
não faça isso
e termina na angústia
não quero morrer
a cadeia produtiva do sim
é mais complexa
exige mais palavras
nela entram as pessoas
e o modo de usá-las

terça-feira, 7 de julho de 2009

recíprocas


aprendi com o tempo
a sorrir
por dentro
ensino ao tempo agora
a sentir
por fora

sexta-feira, 3 de julho de 2009

céu de agosto


bebi o céu de agosto
e não gostei
a pedra sob o meu corpo
tem vida apesar de mais quente
quem carrega o meu corpo
sabe que não morrí
mas a cova está aberta
e as flores ansiosas se precipitam
sobre setembro antes de mim

terça-feira, 30 de junho de 2009

porco sabor de corpo oco


esperar que a aurora me levante
é o mesmo que esperar que a noite me deite
vai sempre dar
neste gosto porco de crepúsculo
antes de balbuciar alvorada
depois
poesia tá aqui pra isso mesmo
desabotoar os caminhos
para que a solidão não tropece
e fique amontoada
num canto do peito
pesando
além do mais
solidão por solidão
basta a de não ter
teu sangue no meu coração

segunda-feira, 22 de junho de 2009

espelho de cego

o amor é precário
esbarra em palavras
peles e ossos
olhares vazios
e quando transborda
não tem mais
pronde correr

sexta-feira, 19 de junho de 2009

SEM BAGAGEM


com o céu insosso e sem cal
com a palavra arremessada na garganta
com o tempo tecido
com a linha da vida
a poesia saiu pra comprar imagens
e nunca mais voltou

quinta-feira, 18 de junho de 2009

abraço


meus braços pretos cruzados
em suas costas brancas
ao redor todas as outras cores
dos pássaros das flores das borboletas
o amor tem cor
mas é de outra natureza

PERDAS

repara a perda é reparável repara a perda repara a perda é irreparável nunca para a perda nunca para repara nunca se repar...