terça-feira, 14 de abril de 2009

CEGUE DORES

para G.Vieira

segui os passos do mundo
me desencontrei
me vi chegando absurdo
me calei
aos passos
sapatos do destino
grosso intestino
me aprisionei
aos poucos
soldei o pranto
à face perdida
me retirei
segui amores
curtume invertido
couro de flores
estiquei
sofri dores
cores de fato
luzes do tato
ceguei
seque dores
a mola que me empurra
amola minha ausência
me cortei

sexta-feira, 10 de abril de 2009

sombra transitória

sob a tua vulva

planto minha sombra



derramo o meu concreto

ergo colunas com meu gozo



teus galhos retorcidos

em minhas costas

o fruto do mundo

o morder sem vontade

a fonte dilatada 
o arrepio tardio



queira meu corpo

desfaça meu saber

falar com a pele



sussurre sementes no campo devastado

saiba das flores que reguei

usando as minhas digitais



o perfume do meu sonho

arrebentou os botões

o corpo solto o sopro solto



não queira que eu não seja ninguém

o impossível no teu envoltório

sou eu querendo ser água



preencho todas a curvas 
do universo ao leu

teu períneo é o meu céu

poro que exploro

suor de amor não tem sal
tem sul
tem o peso de dois corpos
ou mais
tem a cor que o amor precisa
imprecisa
não escorre nem poreja
não evapora
apavora
suor de amor não tem hora
agora

POEMA DE G.VIEIRA

DO QUE RESTAMOS

Para Sergio Lima Silva

o tempo passa
ameixas, amoras
saboreio ócios
do ofício de ser
- viver deplora

o tempo passo
em falso pendor
do ser que devoro,
cogito fugas
- viver deflora

sábado, 7 de fevereiro de 2009

SEDA

o amor não admite remendos
se rasgou, jogue logo fora

guardei o amor
ao redor do tempo
fora do alcance
desse momento

talvez em outro
eu me dê
ou me doa

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

AR PODRE

nariz não tem abrigo
se pouco for enganado
períneo com chocolate
secreção turva de alicate
dedos dos pés marcando o asfalto
morder no início é difícil
depois a gente se iguala
se quando eu falei faltou o ar
foram as palavras que me respiraram

PERDAS

repara a perda é reparável repara a perda repara a perda é irreparável nunca para a perda nunca para repara nunca se repar...