quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Canto da alma esquecido


quando eu era feliz
não passei disso

se havia uma alma
não notei

hoje sou triste
e piorei

terça-feira, 6 de outubro de 2009

oração


escrever é a minha
maneira de rezar
quando crio
sou deus no gerúndio
solidão



a noite na sala
não tem astros

a solidão
um som que não sei imitar
embora o eco permaneça
repetindo a dor

no leito
o rio escorre o seu sono nervoso
e nada ao redor
faz parte do seu sonho

tudo é tão real
quanto o vôo da mosca
interrompido pela língua
do homem-rã
botãozinho de espera


boninas unhas
bolinas bolinas
boninas unhas bolinas
bolinas o meu
saquinho de esperma
bolinas boninas unhas
bolinas bolinas
até explodir
a terceira grande guerra

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

água


a poesia pronta
mas eu não vou chorar
porém a lágrima é um rio autônomo
cujo leito natural é o rosto
esse rio deságua no olhar do outro
pode ser plano
pode ser oceano
frugal




estarrecido
com o cheiro das frutas no varal
reparto minha fase
minhas frases em partes desiguais
não morro meus músculos
sem músculos o mundo se move
e nem por isso me comove

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ar suturado


os pontos internos do poema
não interrompem nada

respiram quase ao mesmo tempo
o poeta e o leitor

as suturas se abrem
antes das flores

espalham odores
difíceis de escrever

PERDAS

repara a perda é reparável repara a perda repara a perda é irreparável nunca para a perda nunca para repara nunca se repar...