carreguei o lago pra casa
as arestas derramaram-se pelo caminho
redondo não cabe na sala
profundo não cabe no dia
quase não cabia na poesia
quando namora
deixa o que sente
do lado de fora
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
CORES BRUTAS
acima do tempo o amor
e as demais cores brutas
que nunca conheci
e que procuram telas inúteis
pois mesmo sem pensá-las
posso senti-las sem tocá-las
sábado, 4 de dezembro de 2010
JUNTANDO ÁGUA
não é só juntando palavras
que se forma a água
nem alterando
o curso do destino
basta espremer o tempo
para verter o líquido feminino
não é só juntando palavras
que se forma um poema
nem mencionando o tempo
ou o destino
basta espremer a página
para verter o líquido infinito
que se forma a água
nem alterando
o curso do destino
basta espremer o tempo
para verter o líquido feminino
não é só juntando palavras
que se forma um poema
nem mencionando o tempo
ou o destino
basta espremer a página
para verter o líquido infinito
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
REFERÊNCIAS
o chão usa os pés como referência
e os espasmos
para espantar os aviões
minha referência
são as coisas que não sinto
dissecadas e empalhadas pelo não
e os espasmos
para espantar os aviões
minha referência
são as coisas que não sinto
dissecadas e empalhadas pelo não
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
CASULO
nem tenho essas cores todas
e as borboletas insistem
na minha existência
elas tecem meu corpo de sonhos
projetam destinos
faz do meu caule
a ligação com o outro
nem tenho essas dores todas
e o tempo me guarda
nesse casulo de gritos
e as borboletas insistem
na minha existência
elas tecem meu corpo de sonhos
projetam destinos
faz do meu caule
a ligação com o outro
nem tenho essas dores todas
e o tempo me guarda
nesse casulo de gritos
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
DIGITAIS DO TEMPO
os cabelos da minha avó
derramam-se sobre a minha vontade
pirulito de açúcar mascado
cores de fugas folhagens
oitizeiro tatuado nas digitais
do tempo me perdi
de ontem não alcancei
a saudade embaça
as coisas que desejo
pegar com o tempo
esse jeito do tempo
olhar para trás
sem precisar de olhos
sem que as coisas estejam
nos lugares devidos
derramam-se sobre a minha vontade
pirulito de açúcar mascado
cores de fugas folhagens
oitizeiro tatuado nas digitais
do tempo me perdi
de ontem não alcancei
a saudade embaça
as coisas que desejo
pegar com o tempo
esse jeito do tempo
olhar para trás
sem precisar de olhos
sem que as coisas estejam
nos lugares devidos
os cabelos da minha avó
colados na testa do tempo
formam um desenho
que eu não consigo desvendar
Assinar:
Postagens (Atom)
PERDAS
repara a perda é reparável repara a perda repara a perda é irreparável nunca para a perda nunca para repara nunca se repar...
-
minha baixa imunidade não me permite tocar as palavras esse meu silêncio pelo que me lembro antecipa meus ossos gostaria de ve...
-
tá difícil o mundo quando parece que vamos engolir destempera e em seu lugar vai a nossa carne a parte longe dos ossos p...
-
o que a minha boca faz em benefício próprio nem ela pode falar talvez sorrir modifique a a paisagem a ser engolida talve...