sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

MANHÃ EM ESTOCOLMO

estou calmo em Estocolmo
não sei onde terminam meus ossos
e onde começa a neve
não sei do meu corpo
misturado aos destroços
de silêncios que erguem
músculos em forma de monumentos

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

PEDAÇOS DE LUZ

surgem as palavras
como pedaços de luz
que interrompem as sombras
e claras
formam outros caminhos
que os cegos devem seguir

ENQUANTO RESPIRO

a cadeira voltada para a rua
embora a janela fechada
a paisagem me imagina
nem me conhece ainda
não imagino a paisagem
espero que o ar me abandone

FAXINA

finjo
como se soubesse
o que os outros sentem
pessoas lembram objetos
sentadas nas prateleiras
recolho uma a uma
retiro o pó
e a tinta que fica
na flanela
lembra a cor
de algum sentimento
que não me ocorre
no momento

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

ONDE ESCREVO O MEU NOME

porque inscrevi meu nome
não quer dizer que eu esteja
estive em muitos lugares
onde nunca souberam o meu nome
noutros meu nome foi pronunciado
e eu nunca estive presente
o nome à pessoa não é um laço
um fosso cujo remédio
qualquer palavra é inútil

AMAMENTAÇÃO

a glândula mamária
pensava que me alimentava
eu soprava meus medos
e o anticorpo materno
desfazia-se em leite

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ABDÔMEN

o abdômen da palavra é a poesia
como é poesia o que sobra nos sonhos
e o que sobra nunca sabe inacabado
sempre sobra medonho
sobra um tórax solitário
que pensava fazer parte do barulho
pensava porque batia
batia por puro orgulho

PERDAS

repara a perda é reparável repara a perda repara a perda é irreparável nunca para a perda nunca para repara nunca se repar...