quinta-feira, 7 de março de 2013

PELA HUMANIZAÇÃO DOS ATROPELAMENTOS

o cão lambe a ferida
como se lambesse um prato de comida
é o que lhe resta no final da tarde
num lugar isento de entulhos
asséptico
repleto de automóveis
humano
a língua tenta
conversar com a dor na perna
mas só entende que há algum sabor
no modo como ficará secando ali
o mundo asséptico
espantou as aves de rapina
os vermes
voltar à estrada
misturar-se ao asfalto

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