quinta-feira, 22 de setembro de 2011

DE OLHOS FECHADOS

não abra os olhos
talvez o sonho te perca
e o corpo
parecido com o grito que forma a boca
não encontrará o caminho de volta
não abra os olhos
talvez a paisagem ainda não esteja pronta
e os ossos à mostra
não espere o corpo ser formado
não abra os olhos
talvez o olhar não esteja pronto
e tudo
que poderia ser visto
mergulhe teu corpo no escuro
não abra os olhos
talvez nem haja sonhos nem paisagens nem olhares
antes é preciso ter certeza
que os olhos são teus
que são tuas as imagens
que a vida não passa de uma miragem

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